domingo, 25 de dezembro de 2011

Oração de Pai Benedito deixada por Pai José de Angola para Reflexão aos seus filhos



Oração do Pretinho - Pai Benedito
Pretinho pequeno, moleque
Nascido em senzala de branco senhor
Cresceu em reza e prece
De paz, liberdade, justiça e amor
O branco senhor
O poder demonstrava
Pretinho gemia, pretinho chorava
Açoite doía
Mas pretinho rezava
Que alma branca
Cheia de luz a rezar
Angola distante, pretinho cresceu
Nasceu escravo, escravo morreu
Matéria ficou
A alma branca subiu
Liberta afinal
Do céu sorriu, juntinho de Deus
Ele está agora
Sua benção meu pai Benedito de Angola
Vem me ajudar, ô alma vem
Me ensine a rezar, quero ao céu ir também.

domingo, 20 de novembro de 2011

Reza Pai Oxalá Nação Cabinda

Mensagem de Pai Oxalá


Ouve meu filho:

Quando todas as portas se fecharem, quando sentires o vendaval da adversidade açoitar as suas faces, quando a tormenta te surpreender em meio a tua jornada, segue; segue sempre de cabeça erguida, pois o teu guia sou eu.

Ainda que todos os males te aflijam, ainda que as ingratidões te atordoem e te façam sofrer, lembra-te que eu sou a tua luz e a tua esperança.

Se fores atingido pela calúnia e pela apreensão, não te desesperes - estarei ao teu lado confortando a tua dor, amparando a crença que está em teu coração.

Fecha os teus olhos às tentações e abre o teu coração ao amor e à bondade, e ainda que a multidão te apedreje, ainda que te acuse de crimes que não cometestes não te acabrunhes, nem te acovardes - enfrenta corajosamente os teus acusadores e vence a tua luta com a firmeza da tua consciência limpa.

Mas se fores traído, se fores perseguido injustamente, não deixeis que o desânimo domine o teu ser. Fazei do teu coração uma fonte de amor e ternura e segue os meus passos.

Se em tua luta pela vida somente encontrares a maldade, o egoísmo e a vingança perdoa meu filho. Sejas bom, simples, carinhoso, humilde, pratique a verdadeira caridade, perdoando os teus inimigos. Reze pelos teus perseguidores, porque eles são mais infelizes do que tu, meu filho. Cegos e desvairados, eles caminharão para o abismo e serão destruídos pela própria maldade.

Prossegue a tua jornada confiante em tua fé. Em cada um dos teus passos, ficarão as marcas das minhas bênçãos; em cada um dos teus atos, ficarão as marcas indeléveis da tua confiança em mim.

Ouve meu filho:

Se algum dia, tiveres preso ao leito vergado pela dor, desesperançado pelo sofrimento atroz, não apresses o teu fim no desespero e nem praguejas o teu destino. Lembra-te dos que choram, lembra-te dos que sofrem, lembra-te dos angustiados, lembra-te de que mais sofredores são os que vivem nas trevas da descrença. Lembra-te que eu também sofri para te redimir e te salvar e quando sofreres, eu sofrerei contigo; quando chorares, eu chorarei com o teu pranto.

Vence, vence meu filho - vence tua luta com a força do teu amor, com o poder indestrutível da tua fé. Eleva o teu espírito, purificando a tua alma do sofrimento e na compreensão dos erros humanos.

Olha para o alto e procura descortinar o meu reino além do infinito. Aqui estou meu filho, para te oferecer amor e bondade. No meu reino de luzes, o teu coração é o meu coração e as portas não se fecharão jamais.

Caminha para frente sem temer os inimigos. Sê complacente para com os que não compreendem as tuas convicções e a tua fé.

Lembra-te, meu filho:

Ainda que sintas os teus pés sangrarem, ainda que as tuas lágrimas queimem as tuas faces, não desanimes: Crê em mim, filho meu! Tens o meu coração cheio de amor e bondade, tens o consolo do meu perdão para os teus pecados, tens o meu reino que é o teu reino.

Eu esperarei por ti, meu filho. Eu esperarei...


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Hino da Umbanda





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Hino Da Umbanda
 

Refletiu a luz divina
com todo seu esplendor
é do reino de Oxalá
Onde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio, de Aruanda
Para todos iluminar
A Umbanda é paz e amor
É um mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
e a grandeza nos conduz.
Avante filhos de fé,
Como a nossa lei não há,
Levando ao mundo inteiro
A Bandeira de Oxalá !
Levando ao mundo inteiro
A Bandeira de Oxalá ! 


domingo, 23 de outubro de 2011

História de Pai José de Angola


Em uma prosa informal, Pai José contou sua história com simplicidade, bem típica dele. Aqui está à história deste Preto Velho tão querido, transcrita por mim da maneira mais fiel possível para que todos possam compreender...
Em Angola de 1640 nasceu o Pai Jose de Angola, hoje com 371 anos de “vida”. Em sua cidade natal foi escravizado por volta dos seus 30 anos de idade e trazido ao Brasil nos chamados ‘Navios Negreiros’.
Nesta longa viajem viu muitos amigos e conhecidos morrerem por doenças ou fraquezas e serem lançados ao mar, mas sua fé nos Orixás era o que o fortalecia. Ao chegar ao Brasil, percebeu que a língua falada aqui era a mesma de sua cidade, o português.
Como era um negro muito sadio e forte, com dentes brancos e bons, foi vendido como escravo para ser um ‘reprodutor’, pois naquela época pensavam que os negros não tinham amor, não tinham sentimentos. E assim foi trabalhar na colheita de café e cana de açúcar em uma fazenda.
Na senzala encontrou uma linda escrava, Maria Conga, pela qual se apaixonou. Seu romance foi complicado, pois ela trabalhava na casa principal da fazenda, acompanhante da sinhazinha, filha do coronel da fazenda.
Entre o trabalho escravo nas colheitas e ser um escravo reprodutor, teve filhos incontáveis na senzala, alguns permaneceram ao passar dos anos na mesma fazenda, outros morreram ou foram vendidos.
Como sempre foi um escravo que não se conformava com a situação da escravidão porque não se conformava em viver como um animal tentou realizar várias revoluções, mas mudar a cabeça e o pensamento das pessoas sempre foi muito difícil, não tendo sucesso em seus movimentos, ficou marcado pelos capitães do mato e pelo coronel da fazenda onde era escravo.
Os escravos que estavam fracos ou doentes e que tentavam fugir eram lhes dado melancia e leite, o que supostamente faria mal aos escravos e morreriam, mas na verdade era somente uma desculpa para serem mortos pelos capitães do mato.
Mesmo quando alguns escravos conseguiram a Carta de Alforria, Pai José com aproximadamente 70 anos ainda tentou fazer mais uma revolução com filhos e outros negros da fazenda. Desta vez os escravos conseguiram fugir, indo à direção ao tão falado Quilombo de Palmares. Porém, já com a idade avançada não tinha o mesmo pique dos seus filhos que ainda o acompanhavam e os escravos que participaram desta fuga. Em muitos momentos o carregaram para que conseguisse acompanhar a fuga.
Enquanto isso os capitães do mato os perseguiam com cachorros e a cavalo para a captura dos escravos fugitivos, já que os Coronéis para manter sua fama e “estatus” não podiam deixar que qualquer escravo fugisse e/ou escapasse vivo destes feitos.
Pai José pediu aos seus companheiros para seguirem em frente e o deixarem para trás, pois só atrasaria os outros escravos, que seriam capturados e castigados. Esconde-se no meio de algumas pedras (buraco) através de uma fenda. Seu azar foi que tinha pouco tempo e ali também estava escondido um gato. Pai José contou que os escravos naquela época costumavam enganar o faro dos cachorros colocando cinzas em sua volta para enganar o cheiro, mas devido aos fatos, os cachorros acabaram seguindo o gato e seu verdadeiro faro, capturando o escravo na fenda em meio às pedras. Pai José descobriu mais tarde que um escravo capturado havia denunciado seu trajeto de fuga, provavelmente em troca de sua vida. (Pai José não demonstrou rancor ao relatar este fato e nem citou o nome do escravo)
Na fazenda os feitores como castigo, amarraram-no em uma pedra por sete dias e sete noites ao tempo. Seu castigo pela fuga e por acharem que ele era o principal incentivador da revolução e fuga foi muito severo, cortaram pedaços de seu corpo, como dois dedos das mãos e recebeu muitas chibatadas, ficou sem nada para comer ou beber. Os feitores tinham a intenção que o escravo contasse onde estavam escondidos os outros escravos fugitivos. Mesmo com a severa punição, o Preto Velho não desistiu de sua vida nem dedurou os outros escravos, principalmente pela fé em Oxalá, na natureza e pela ajuda de Maria Conga, sua companheira, que nas madrugadas levava para seu querido preto uma ‘canja aguada’ com restos de comida que conseguia na fazenda.
Como os feitores tinham certeza que o escravo era o revolucionário que havia comandado a fuga, com a ordem do ‘sinhozinho’ Pai José foi liberto, para morrer ou com a intenção de que os outros escravos fugitivos o encontrassem, acabando com a fuga e a revolução. Naquela época os feitores precisavam capturar todos os escravos fugitivos vivos ou mortos para mostrar a sociedade e continuar com sua força, fama, liderança e com suas fazendas. Após os escravos fugitivos serem capturados e muitas vezes mortos, seus corpos eram expostos à sociedade e em seguida jogados no manto.
 Pai José muito debilitado pelo massacre em seu corpo e pela franqueza, saiu por trás de uma casa muito antiga e em uma emboscada encontrou uma cumbuca cheia de bolachas (ele descreveu-as como as nossas atuais bolachas de natal), como a fome estava grande, não pensou e as comeu, e cada vez que comia mais uma bolacha queria comer mais, chegou a comer toda a cumbuca (as bolachas estavam envenenadas) e em seguida foi se sentindo muito mal, com dores fortes no peito até que sua respiração parou, findando assim a vida terrena do escravo Pai José de Angola.
No final de nossa prosa, Pai José falou sobre seu nome, disse que naquele tempo não havia nomes diferentes como os de hoje em dia e sim muitos Antônios, Josés e Marias; assim existiam vários escravos com o mesmo nome e o seu é Pai José de Angola.
Disse finalizando e com pressa de “ir embora” que se no passado não existissem os escravos, não teríamos hoje a nossa religião Umbanda.


Pai José de Angola,
Por Elisa Vianna.